segunda-feira, 28 de abril de 2014

5.

A ÁFRICA NEGRA ANTES DOS EUROPEUS:
O IMPÉRIO MALI E O REINO DO CONGO

           A história registra a existência de diversos povos na África, entre os séculos VIII e XVII. Esse período compreende os relatos sobre a existência de impérios e reinos prósperos, como o Império do Mali e o Reino do Congo.

O IMPÉRIO MALI

O Império Mali localizava-se no deserto do Saara, na África ocidental. Por serem escassos os vestígios arqueológicos desse povo, a maior parte dos relatos sobre sua existência foi revelada pelos griots, cantores, músicos e poetas que transmitem as histórias de seu povo.


Os griots contam que o povo mandinga foi dominado pelo povo sosso de Gana, cujo rei era muito cruel e massacrou toda a família Keita, que reinava na região. O único sobrevivente dos Keita, Sundiata Keita, liderou os mandingas contra os opressores sossos, conquistou Gana e passou a reinar sobre um extenso território denominado Império Mali. No poder, Sundiata Keita anexou Gana e converteu-se ao Islamismo, tornando-se mansa daquela região.

As principais cidades negras eram Djenné e Tombuctu. Esta era a terceira maior cidade africana e agregava, a partir do século XIV, cerca de 150 escolas que, contudo, eram restritas à elite, já que as aulas eram ministradas em árabe e não nos idiomas locais.

O apogeu do Império Mali ocorreu durante o governo do mansa Kanku Mussá. Mussá fez uma famosa peregrinação a Meca, levando consigo cerca de 60 mil pessoas e toneladas de ouro para distribuir para os mais necessitados, já que esse metal era o centro da economia malinesa. Diz-se que a distribuição foi tão grande que o preço do metal precioso despencou.

No século XV, porém, o Mali começou a perder territórios para outros reinos negros. Além disso, uma nova ameaça surgira: os portugueses. O rei de Portugal, Dom João II, enviou a Mali uma embaixada, que pouco a pouco foi reunindo informações sobre o Império africano, a fim de penetrar ainda mais o território malinês. Como não possuíam armas de fogo como os portugueses, os malineses foram se submetendo aos europeus. O principal interesse dos portugueses era controlar o tráfico de escravos da região e, para isso, aproveitavam-se das rivalidades existentes entre os próprios povos africanos, incentivando a luta destes contra o imperador do Mali. Dentro de menos de um século, os europeus esfacelaram o Império Mali.

O REINO DO CONGO

O segundo maior reino africano foi o reino do Congo, que localizava-se no litoral da África Central. Os povos que habitavam essa região falavam línguas banto, tronco lingüístico que reúne cerca de 470 idiomas.


O reino do Congo nasceu do casamento entre o chefe do povo kicongo e uma mulher do povo ambundo, no século XIV. Os governantes desse reino recebiam o nome de manicongo e ampliaram a extensão do mesmo através de casamentos e conquistas militares.


O manicongo possuía um trono e recebia de seus súditos impostos que eram pagos com produtos (metais, frutas, gado e marfim) ou em dinheiro (nzimbu, uma espécie de concha marinha da Ilha de Luanda, cuja extração era monopólio real); além disso, era o próprio juiz e resolvia pessoalmente e em praça pública as disputas judiciárias de seu povo.

No final do século XV, o navegador Diogo Cão chegou à foz do rio Congo e o manicongo o recebeu cordialmente, talvez por temer as armas de fogo. A recepção amistosa permitiu aos portugueses interferir diretamente na política africana.

Com a morte do rei do Congo, seus dois filhos iniciaram a disputa pelo trono. Um deles, Nzinga Mbemba, foi ajudado pelos portugueses e venceu o irmão. Mbemba converteu-se ao Cristianismo e adotou um nome português, Affonso, absorvendo a cultura europeia através de estudos realizados junto a padres. Affonso pretendia fortalecer seu reino, mas o rei de Portugal enviou à região traficantes, interessados em escravizar e vender os negros.

           Ao perceber a intenção dos europeus, Affonso apelou ao rei de Portugal e ao Papa, a fim de proibir o tráfico de negros; contudo, em vão. O reino do Congo declinou a serviço do tráfico atlântico de escravos para trabalhar nas terras do Novo Mundo. No século seguinte, tentaram uma revolta antilusitana, mas foram derrotados e o Congo passou para o domínio português.

FONTE: http://tudosimehistoria.blogspot.com.br/2012/05/africa-negra-antes-dos-europeus-o.html

3 comentários: